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"An die musik"; manuscrito de F. Schubert |
Não tem jeito, música para mim tem que ter melodia.
Tem que ter um "tune", algo que a gente possa catarolar. Tudo bem, o ritmo é importante, mas sem melodia, para mim (permitam-me ser bem pessoal...) falta algo.
O conceito do que é música hoje é bastante aberto. Não é mais o do dicionário, a tradicional "arte de combinar os sons de modo agradável ao ouvido humano".
Pesquisas extrapolam isso, desconstruindo o som. Filtram, deformam, elaboram o som, explorando e criando timbres. Tudo bem, legal. Mas, do jeito que eu entendo música, tem que ser algo que se cante.
Eu sei, bem previsível para uma cantora... rs
Mas, já que na pós-modernidade, temos tantas e diversas tendências, escolho a tradicional.
Podem me chamar de retrógrada, já fui chamada antes. Aguento. Prefiro receber a crítica e assumir que p'ra mim música é muito mais do que algo que se entende intelectualmente. Tem que tocar a alma, como diziam os antigos gregos e os renascentistas que os tentavam imitar. A alma e não apenas a mente.
Eu não usufruo música apenas intelectualmente. Aquilo que só pode ser usufruído intelectualmente, para mim, desculpe, não é música. Posso até analisar intelectualmente e entender, porque estudei para isso. Mas, não quero absorver apenas a compreensão de uma estrutura, de um padrão, de uma forma.
Se for só isso, fica frio.
E música é vida...
Quero muito mais da música.
Quero sentir a música
Quero viver a música
Quero cantar!!!
Aliás, depois de muito pensar e analisar diferentes formas de expressão musical, percebo que o momento mais forte da música é a performance. É ali, no palco, que se concretiza o que de melhor existe nesta arte. Ouvir um CD pode ser legal, pode até emocionar. Mas, não se compara com o momento mágico em que, mesmo com erros, o músico dá o que tem de melhor para oferecer: sua música.
Então, permitam-me: continuarei "colocando o meu pinguim em cima da geladeira". Continuarei, feliz, fazendo música acústica e aquela que se canta...
"Não, diversas vezes não
Não há porque negar
Não uso da razão
Na hora de cantar
E é mesmo o coração quem rege o meu compasso
Não, não sou tão racional
Como era de esperar
E a lúcida palavra que eu iria dizer
Transforma-se num sopro em pura intuição
E por qualquer razão
Eu fico à mercê
P'ra onde dessa vez meu coração vai me levar"
(O mesmo coração, O. M.)
Não há porque negar
Não uso da razão
Na hora de cantar
E é mesmo o coração quem rege o meu compasso
Não, não sou tão racional
Como era de esperar
E a lúcida palavra que eu iria dizer
Transforma-se num sopro em pura intuição
E por qualquer razão
Eu fico à mercê
P'ra onde dessa vez meu coração vai me levar"
(O mesmo coração, O. M.)
Malú