Malú Mestrinho

Apresentação

Olá!
Este é meu blog pessoal.

Aqui pretendo comentar sobre coisas que vi, ouvi e vivi.
Gosto de escrever e às vezes sinto um impulso de compartilhar... Como não sei exatamento com quem, resolvi criar este espaço e deixar que pessoas acessem e leiam quando quiserem.
Pretendo também escrever e trocar idéias sobre a arte do canto. Mais especificamente do canto que interpreta a música chamada erudita.

Malú Mestrinho
(em julho/2010)


segunda-feira, 1 de abril de 2013

MARIA BONITA

(Com atraso, publico texto que escrevi sobre o GRUPO VOCAL MARIA BONITA, no final de 2012. O grupo continua agora com outra configuração. Mas escrevi aqui sobre a fase que acabamos de fechar.)
 

Oito cantoras
Bonitas Marias
Companheiras queridas do ofício de cantar
Minhas alunas, minhas amigas
Cantar junto nos uniu, mentes e corações.
Na busca de harmonizar vozes
Harmonizamos sentimentos
Criamos vínculos inexplicáveis, carinho especial.
Se não cantarmos mais juntas
Com certeza seguiremos cantando
E lembraremos sempre...

Sempre gostei de cantar em grupo. Trouxe para Campo Grande a vontade de montar um grupo vocal. Minha vontade casou com a de algumas alunas de canto do Curso de Música e em julho de 2010, criamos o Grupo Vocal Feminino da UFMS. Éramos 9 cantoras, unidas simplesmente pela vontade de cantar juntas. Não importava muito o que fosse. Não estava claro o que seria. Propus uma obra erudita para começar, desconhecida para elas e mesmo assim, toparam. Começamos então, ensaiando o Stabat Mater de G. B. Pergolesi e elas se apaixonaram pela obra. 

 
 Depois veio a Messe Basse de G. Fauré e várias canções, de vários estilos. Foram muitos ensaios (não tantos quanto eu queria), muitas experiências, muitos planos (nem todos concretizados), muitas conversas gostosas, cantorias, discussões.  Contando todas que passaram pelo grupo desde o início, foram 14. Nem todas ficaram. Agora, somos 8, o Grupo Vocal Maria Bonita. A formação atual é esta:
Você (que conhece o grupo) pode reconhecer cada uma de nós nesta montagem?
1º soprano:
Ana Lúcia Gaborim
Melissa Azevedo 
Marjorie Matsue

2º soprano: 
Maria Claudia Mendes
Cinara Baccili
Luma Heyn

Mezzo:
Malú Mestrinho
Angela Bessa


O Maria (como costumamos chamar) completou 2 anos em agosto de 2012. Este foi um ano muito produtivo. Enfatizamos a Música Popular Brasileira e o estilo a capella. Cantamos bastante, viajamos juntas, fizemos roupa, estreamos arranjos exclusivos. E definimos a logomarca do grupo, feita pela designer Had Mestrinho, a partir de uma idéia da Angela Bessa.
Em maio, fizemos concerto em Aquidauana, na série "Concertos na Igreja Matriz", apresentando mais uma vez o Stabat Mater, acompanhadas pelo talentoso Richard Hericks. Participamos do Festival de Música de Três Lagoas, em julho, com um concerto todo a capella. Fizemos pequenas apresentações por um projeto do SESC e terminamos o ano com uma apresentação em casa: o Curso de Música da UFMS.
 
O grupo vai mudar em 2013. Luma e Angela se afastam, pois vão para o mestrado em música em Goiânia. Deixarão saudades... Não sabemos, na verdade, quem fica ou entra agora. Mas, o grupo permanece. Continuaremos cantando, que é nosso objetivo principal. Temos um projeto especial para 2013: um repertório só com nomes de mulheres. Promete ser um programa muito bonito. Bonito como são bonitas as mulheres/Marias deste grupo...

 


Há outro post sobre este grupo no sobreCanto: Stabat Mater de Pergolesi e o Grupo Vocal Feminino da UFMS.

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quarta-feira, 6 de março de 2013

Gente que canta comigo...

Vi de relance uma foto em meu álbum do Facebook que não reconheci.
Cliquei para ver a foto melhor. Eram alunos meus cantando...
Olhei em redor e quase todas as fotos eram de gente cantando.
Alunos cantando, colegas cantando ou tocando comigo, "Marias Bonitas" cantando comigo... Eu cantando com outras pessoas. Duos, grupos, coros...
Gostei de me ver entre meus alunos, cantando com eles.
Percebi que as outras fotos, que não são de gente cantando, são da minha família.
Vi, então, que quando não estou em família, estou com pessoas que cantam comigo, tocam comigo, fazem música comigo. E fiquei feliz. Me senti aconchegada...
É que de certa maneira, estou sempre em família. Quando não na família do sangue, estou com a família do canto. Que é tambem minha família.
E comecei a fazer relações: os cantores que cantam comigo, são como meus irmãos. Os alunos, como meus filhos. E os instrumentistas, meus primos... rs.
Gente que canta comigo e eu com eles. Achei fantástica a descoberta!
Claro que nem sempre são muito próximos os que comigo cantam. Há graus de intimidade. Mas na família também os há...
Cantar une as pessoas. Gosto de perceber este vínculo se formando, crescendo, se intensificando ao longo do tempo.
Com os alunos, por exemplo. Não sou muito fácil no primeiro contato, confesso... rs. Nas primeiras aulas me olham quase com medo. Alguns confessam isso. Mas, a distância vai diminuindo à medida que nos conhecemos melhor. Quando ele começa a cantar e experimentar o canto que nossas aulas (nosso convívio) produz, passa a sair da sala sorrindo. Aquele sorriso esmaga o medo...  a relação muda, cresce. O canto, numa dimensão não paupável, invisível, nos liga. Quando cantamos juntos então! Ah, aí a relação se consolida. Somos unidos cantando.
No último recital dos meus alunos, me despedi de uma aluna, que se formou, cantando com ela. Aquele momento foi muito significativo. Lembro agora dela, não por acaso, exatamente no início das aulas. Cara de quem não está entendendo muito (ou nada...), desconfiada, muita tensão. O tempo passou e isso mudou. Cantamos muito juntas no Grupo Vocal Maria Bonita. Hoje somos amigas.

Agora, bom mesmo, é cantar com a família! Onde o vínculo é musical e de amor. Cantei com meus filhos recentemente. Inesquecível... Minha família sempre canta. Coisa de crente... Graças a Deus. Bom demais!

Enfim, percebi hoje que estou sempre com gente cantando... Gente que canta. E entendi que isso é bom. Me faz feliz.








sábado, 8 de dezembro de 2012

A ópera da Oficina

Cartaz da ópera no Teatro Prosa do SESC-MS
O projeto Oficina de Ópera da UFMS acaba de apresentar 3 récitas da ópera Dido & Eneas de H. Purcell. Foi uma montagem experimental, mas em teatro, com orquestra, cenário, figurino, iluminação teatral, cravo e uma teorba no contínuo. Enfim "tudo que tem direito"...
Se alguém me perguntasse se eu produziria uma ópera, a resposta seria um "não" tachativo. Imagine, eu produzir uma ópera! Jamais... Acontece que o fiz. Mas, só consegui porque contei com muita ajuda. De Deus, de amigos e parceiros.
A motivação era dar aos alunos uma vivência em ópera. Já tínhamos feito um projeto-piloto ano passado, com La serva Padrona, de Pergolesi, feita em recital com piano. Eles pediram para continuar e fiz novamente o projeto, desta vez como um curso, onde estudaríamos Dido e Enéas. Montamos um coro/elenco de 17 alunos, que mostraram bom potencial. Dividimos os solos e começamos a trabalhar em abril.

As coisas começaram surpreendentemente a dar certo: a soprano Luciana Fisher aceitou meu convite para interpretar Dido. E entrou "em cena" o maior responsável pela realização: Evandro Higa, colega genial, que se dispôs a fazer toda a parte cênica, sem a qual não teríamos passado de um grupo de cantores estudando um libretto. Evandro idealizou uma montagem atemporal, com cenário e figurino simples, mas com bom efeito visual.

Em junho, veio a greve da UFMS e passamos a ensaiar no Centro de Arte Viva, que se tornou parceiro do projeto. A greve nos ajudou, pois pudemos ensaiar à noite, o que seria impossível durante as aulas. Conseguimos uma data no Teatro Prosa do SESC no final de novembro. E assim a Oficina virou um projeto artístico, trabalhando com uma apresentação em vista. Quando as aulas voltaram em outubro, a ópera já estava toda lida e os ensaios cênicos adiantados.

Para levantar fundos, fizemos camisetas para vender e um recital em outubro no Centro de Arte Viva. Elosande Camondá participou conosco, acompanhando os cantores da oficina e solistas convidados. 
Recital da Oficina de Ópera (06/10/2012) - Centro de Arte Viva, com Elosande Camondá
Queria muito fazer a ópera com uma orquestra de cordas, coisa difícil por aqui. O maestro Eduardo Martinelli da Orquestra Sinfônica Municipal de Campo Grande aceitou o convite/desafio. Como contrapartida, pediu que apresentássemos a ópera no Festival Encontro com a Música Clássica no início de novembro. Foi nossa pré-estréia: dia 08 de novembro, Teatro Glauce Rocha, tendo no contínuo a cravista Regina Schlochauer, que o Festival trouxe. Evandro fez uma luz linda. É um louco adorável: além de dirigir a cena, afinou e operou a luz. Teatro lotado, muito nervosismo, alguns desencontros... mas o saldo geral, extremamente positivo. Ver o resultado de 6 meses de trabalho concretizado e realmente acontecendo,  foi indizível!

Foi a estréia de Dido & Enéas em Campo Grande e no Mato Grosso do Sul, além de ser a 1ª produção operística da UFMS. Fazer com orquestra e cravo foi uma realização muito significativa para o projeto. Não sonhávamos com isso quando montamos a Oficina no início do ano.

Além de Luciana Fisher, tivemos Angela Bessa como convidada no papel da Feiticeira. Todos os outros papéis foram feitos por alunos, alguns iniciantes. Na oficina, não fazemos diferença entre solistas e coro. Todos são elenco, todos tem um personagem e todos cantam os coros. Apesar da pouca (ou nenhuma) experiência, os cantores fizeram um trabalho fantástico. Me encheu de orgulho.

Para as récitas do dia 28/11, no Teatro Prosa, que é bem menor, fizemos algumas adaptações. A orquestra tocou no palco, atrás da cena. E 2 solistas tiveram que ser substituídas. Tivemos Regina Schlochauer novamente conosco no cravo. Juntaram-se a ela no baixo contínuo o celista Marcelo Gerônimo e Bruno Correia, teorbista carioca com quem tivemos  o prazer de contar.

Valeu a pena. Ver meus alunos crescendo como cantores, preparando personagens e se tornando intérpretes é muito gratificante! Cada um da Oficina trabalhou muito. Alguns além de cantar, fizeram parte da equipe de produção. Agradeço a todos o trabalho!

Os cantores da oficina, com a camiseta do projeto.
A bela música de Purcell ainda ecoa em nosso ouvidos...
Uma frase que me encantou desde o início e marcou todo o processo, encerra o 1º ato da ópera: 
"Let the triumphs of love and all beauty be shown!"
Esta foi nossa intenção: revelar os triunfos da beleza e do amor. Porque, este foi um trabalho belo e cheio de amor.



Equipe da Oficina de Ópera - projeto Dido & Enéas:
Direção musical e vocal: Malú Mestrinho
Concepção cênica, direção cênica e figurinos: Evandro Higa
Orquestra: Orquestra Sinfônica Municipal de Campo Grande
Baixo Contínuo: Regina Schlochauer (cravo), Bruno Correa (teorba), Marcelo Gerônimo (Violoncelo)
Regência: Eduardo Martinelli
Monitores/ensaiadores: Eduardo Machado, Marjorie Matsue, Luma Heyn
Assistente de produção: Renata Correa
Confecção de figurinos: Lúcia Amaral e Luana Oliveira
Tradução: Rui Esteves (adaptação: Malú Mestrinho)
Legendas: Malu Mestrinho (texto) e Rodrigo Faleiros (operação)

Elenco:
Dido: Luciana Fisher
Eneas: Eduardo Machado
Belinda: Marjorie Matsue
Feiticeira: Angela Bessa e Malú Mestrinho
Segunda mulher: Monica Marques
Primeira Bruxa: Renata Correa
Segunda Bruxa: Luma Heyn e Cinara Baccili
Marinheiro: Vinny Correa
Espírito: Alexandre Melo
Nobres cartagineses, bruxos e marinheiros:
Lívia Braga, Lúcia Amaral (sopranos)
Lohaine Martins, Loisilene Souza, Hadassa Sylvestrinho (contraltos)
Afonso Flash, Bruno Godoy (baixos)

Realização: Projeto de extensão OFICINA DE ÓPERA DA UFMS 
Coordenação do projeto: Malú Mestrinho
Parcerias e apoios: Curso de Música/CCHS/UFMS; Escola de Música da UFMS; Centro de Arte Viva; OSCG e FUNDAC-MS; SESC-MS; Festival Encontro com a Música Clássica; Marcelo Fernandes

 

domingo, 23 de setembro de 2012

Um pouco sobre Callas


Esta semana revi alguns vídeos de Maria Callas (1923-1977) no youtube, motivada pelos 35 anos de sua morte. Ela foi um marco e é uma referência enorme para todos nós cantores....  Pode-se dividir o canto lírico no séc. XX antes e depois de Callas. Fiquei tentando lembrar quando a ouvi, o que ouvi e estudei sobre ela...
      Acho que a primeira lembrança que tenho é da infância: meu pai ouvindo uma Lucia di Lamermoor no rádio do carro. Era a rádio MEC - AM, que ele ouve até hoje. Aquele programa que tocava a ópera inteira. Nós chegamos no lugar para onde íamos, mas ele não saiu do carro. Porque era o último ato da Lucia e era Maria Callas. Então ele tinha que ficar e ouvir até o final a cena da loucura. Que loucura! Minha mãe: "Vamos, meu bem!", mas, não houve o que o movesse. Ela, zangada, saiu do carro e meu pai ficou ouvindo. Eu não sabia quem era Callas, nem o que era canto. Naquele momento, era apenas uma cantora capaz de fazer meu pai se atrasar para um compromisso! Lembro de ouvir comentários sobre a voz dela, sobre ela com Onassis e depois sobre a morte. Eu era adolescente, estudava piano...
       Quando comecei a estudar canto, não gostava de ópera e ouvia pouco. Mas falava-se tanto, que fui atrás de ouvir. Lembro de ouvir na casa do Faustini, meu professor de canto, em vinil ainda, acho que uma Traviata. Ele comentava que ela desafinava às vezes, mas a interpretação era tão intensa, que parecia fazer parte...
       Anos depois, em 1994, recém chegada na UFU, como professora, ganhei um VHS com um concerto dela de 1959. Assisti várias vezes. Foi a primeira vez que assisti Callas. Neste concerto, me chamou a atenção ela ficar durante a abertura inteira de uma ópera no palco, um tempo enorme, e já no personagem. Que força no olhar! Que máscara facial impressionante! E não fazia "a cena" (como muitos cantores querem fazer em concerto e fica ridículo...) mas as intensões estavam todas lá.
Lembro que me impressionou a leitura da carta na ária de Macbeth e adorei Una voce poco fa. Os aplausos eram longos e ela voltava ao palco várias vezes.
    Quando vi o filme Filadélfia, fiquei curiosa para ouvir a ária La mamma morta (Andrea Chernier/Giordano) da cena famosa, onde o personagem de Tom Hanks comenta a interpretação de Callas. Eu não conhecia esta ópera e peguei emprestado um disco com Edmar Ferretti. Naquela época não era tão fácil, não havia internet, nem youtube.
      A partir daí, os CDs proliferaram e eu comecei a cantar ópera, conhecendo o seu mundo, palco, maestros, personagens, figurinos. Comprei alguns e ganhei vários CDs de Callas, com várias árias e partes de óperas. Só tenho inteira uma Tosca dela. Passei a conhecer melhor seu repertório, seu estilo, suas coloraturas e cadências. Usava exemplos em aula. Lembro de comentar numa palestra a sua interpretação da Habanera em concerto. Ela erra muito a letra, mas sua atitude é como se estivesse tudo perfeito.
Outra lembrança que tenho é da peça "Master Class" onde Marília Pera interpreta Callas. Assisti em 1996, em São Paulo. Eu estava fazendo uma ópera na época (Maria Tudor/C. Gomes). Então, todo o texto, baseado nas aulas que ela deu na Juliard, foi muito significativo e me marcou.
Depois li uma biografia dela e passei a saber detalhes da vida e carreira.
       Enfim, hoje temos a facilidade de ouvir Callas com apenas alguns cliques. É possível baixar inteiras as óperas que ela cantou. A tecnologia imortalizou sua voz, seus gestos, sua atitude no palco, que servem de exemplo numa época de confusão e deturpações do que é cantar. 
       Para quem quiser, deixo alguns vídeos do que comentei acima: 

"Nel di della vittoria" (Macbeth) - Concerto de 1959:

"Una voce poco fa" (Barbieri de Seviglia) - mesmo concerto:

Cena do filme Filadelfia:

Habanera (Carmen) - 1962, com vários erros de letra... :






segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Eu e o piano

Tenho tocado muito piano ultimamente. Tanto que minhas unhas, qua já não cortava tão curtas, quebraram. Olhando para trás, vejo como o piano foi e é importante para mim.
Minha relação com o piano já teve várias fases.
Comecei a estudar piano aos 5 anos de idade, quando nem piano tinha e minha professora escrevia na caderneta: "estudar na ponta da mesa". Eu olhava a partitura, imaginava o teclado do piano e tocava na mesa. Talvez venha daí o costume de mover os dedos, tocando um piano imaginário até hoje...
Ganhei meu primeiro piano aos 9 anos, em Brasília. Jasão. Ele tinha um som lindo. Era um Essenfelder com o nome "fantasia" de W. Tuller. Sofreu muito com as mudanças e a falta de dinheiro para manutenção até não ter mais jeito. Tive outros 2 depois, com som estridente. Nunca esqueço o som aveludado do meu Jasão.
Já amei o piano, dedicando horas do meu dia estudando, lendo partituras novas, fazendo técnica... foi meu companheiro de intermináveis tardes na adolescência de poucos amigos. Preferia ele à televisão.
Já o desprezei. Ficou quase 1 ano inteiro fechado em casa. Contraditoriamente, no meu primeiro ano de música na universidade. Percebi que meu solfejo era restrito à relação que fazia com o tocar piano. E eu queria solfejar independente disso, em qualquer tom. Além disso, Bohumil Med dizia que a terça maior de todo pianista é baixa, por causa do temperamento. Nesta época, detestei tocar piano e pensei "porque meus pais não me colocaram para estudar violino". Que absurdo!
Ainda na fase da negação, tentei estudar outros instrumentos. Escolhi os que gostava mais da sonoridade: clarineta e viola. Desisti da clarineta na primeira aula com o Gonzaguinha, por causa de um teste de sopro que não consegui fazer (depois tive que estudar respiração um monte para ser cantora...). Estudei viola, mas não fui muito longe. Enveredei pelo estudo do canto, sem muitas expectativas, e deu mais certo do que eu e Zuinglio Faustini esperávamos... E troquei o piano pelo canto.
Mas, nunca consegui ficar longe dele. O fato de tocar piano me ajudou como estudante e ajuda muito até hoje na minha profissão dupla de cantora e professora de canto.
Lembro que quando entrei na Escola de Música de Brasília como professora de canto, não tive coragem de dar aula, pela falta de experiência e medo da responsabilidade. Fui correpetidora por um ano, observando as aulas dos outros professores. 
No mestrado, meu trabalho foi sobre o repertório de canto sem piano. Minha motivação foi a forte dependência dos cantores com o piano. Adorei cantar com outros instrumentos.
Hoje, não tenho piano em casa há quase 3 anos. Como me faz falta! Encontrar uma partitura e não ter como sentar no piano pra ver como soa, ou para lembrar ... É horrível! Olho para o lado e não tem um piano aqui! Como assim? Pelo menos eu tenho um na minha sala na universidade. E olha que não foi fácil conseguir uma sala com piano lá.
Costumo dizer que sou pianeira. Porque a técnica há muito foi abandonada. Mas tenho boa leitura e como nunca deixei de tocar, me viro bem tocando para estudar e para meus alunos.
Agora em meio a um projeto (louco) de montar uma ópera com eles, fiquei sem pianista! No caso de extrema necessidade, lá estou eu exercendo o papel de pianista. Não sou digna do título, mas exerço a função. Estou me divertindo...