Malú Mestrinho

Apresentação

Olá!
Este é meu blog pessoal.

Aqui pretendo comentar sobre coisas que vi, ouvi e vivi.
Gosto de escrever e às vezes sinto um impulso de compartilhar... Como não sei exatamento com quem, resolvi criar este espaço e deixar que pessoas acessem e leiam quando quiserem.
Pretendo também escrever e trocar idéias sobre a arte do canto. Mais especificamente do canto que interpreta a música chamada erudita.

Malú Mestrinho
(em julho/2010)


segunda-feira, 13 de julho de 2015

MUSAS

   Na grécia antiga, elas eram entidades mitológicas que inspiravam as artes. A própria palavra música veio delas. A idéia da musa inspiradora permaneceu até hoje e ao longo da história, inúmeras poesias e canções, por todo o mundo, foram inspiradas em mulheres. Toda mulher, por sua sensibilidade, delicadeza e encantamento, pode ser uma musa.
   Esta semana, o Madrigal Ars Femina estréia um concerto com canções brasileiras cujos títulos são nomes de mulheres. Musas, ora verdadeiras, ora imaginárias, que inspiraram poetas e compositores a criar canções com seus nomes. Marina, Luiza, Ligia, Doralice, Madalena são algumas das canções, com arranjos para vozes femininas, que compõem o repertório do concerto.
   Escolhemos o nome Maria, o mais comum, para sintetizar estas mulheres em uma: a mulher brasileira. Com sua força, sua alegria, seu charme, sua beleza e simplicidade. O concerto começa com "Olha Maria" (Tom Jobim/Chico Buarque/Vinícius de Moraes) e termina com "Maria Maria" (Milton Nascimento/Fernando Brant). Queremos alcançar a mulher comum, tirando do pedestal a musa ideal, perfeita, utópica. Somos todas mulheres, somos todas Marias, somos todas musas.
Quatro arranjos serão estreados neste concerto, feitos especialmente para o MUSAS, sob encomenda do Ars Femina a compositores amigos daqui de Campina Grande: "Luiza" (Tom Jobim) tem arranjo de Luis Passos; "Ligia" (Tom Jobim), de Mayra Carmeli; "Doralice" (Dorival Caymmi) de Vladimir Silva; e "Maria Maria" (Milton Nascimento/Fernando Brant) de Ulisses Azevedo.
  Outros arranjos, selecionamos dos já existentes: "Clareana" (Joyce Moreno), arranjada por Eduardo Carvalho; "Marina"(Dorival Caymmi), arranjada por Alexandre Zilahi , que assina também o arranjo de "Madalena" (Ivan Lins/Ronaldo Monteiro). "Luciana" (Tom Jobim/Vinícius de Moraes) tem arranjo de Samuel Kerr. Cantamos Terezinha"(Chico Buarque) num medley com a canção de roda "Terezinha de Jesus".
   Sete músicos dividem o palco conosco, enriquecendo o programa: Paulo Cesar Vitor (piano), Ulisses Azevedo (violão), Maxwenio Dias (contrabaixo), Beto Cabeça (percussão), Felipe Oliveira (flauta), Felipe Villarin e Michel de Lima (clarinetes). 


   As cantoras que compõem o Ars Femina atualmente são: Allice Montenegro, Aparecida Avyllis, Tunisia Souza, Eloide Lima, Savanna Aires, Dayane Maciel, Evelyn Lima, Aluska Guimarães, Samara Andrade, Geysy Carolline e Edvani Alves. São minhas parceiras no projeto Ars Femina e no projeto MUSAS. Vozes diferentes, com experiências diferentes... Mas, todas juntas formamos um grupo que construiu este espetáculo em meses de muito trabalho, extrapolando o estudo acadêmico das aulas de canto coral. Com certeza, valeu a pena. Dentro do grupo, Tunisia Sousa e Allice Montenegro são nossa equipe de produção, cuidando de aspectos administrativos e estruturais.
   Estamos felizes de estrear o MUSAS no VI Festival Internacional de Música de Campina Grande e no palco mais nobre da cidade: o Teatro Municipal Severino Cabral. Agradeço ao Prof. Vladimir Silva por nos dar esta oportunidade.
   O MUSAS é um concerto sobre mulheres, para mulheres, cantado por mulheres. Mas, com certeza, os homens também curtirão muito nos ouvir. Aliás, a maioria dos poetas e compositores são homens! Temos uma expectativa muito boa de que será um momento lindo, muito especial para nós e para quem vai assistir.

Concerto MUSAS
Madrigal Ars Femina
(Dentro da programação do VI Festival Internacional de Música de Campina grande)
15 jul 2015 (4ª feira), 16h
Teatro Severino Cabral
Entrada Franca

Curta a página do Madrigal Ars Femina no Facebook: https://www.facebook.com/madrigalarsfemina

Acesse a programação do VI FIMUS: http://www.fimus.art.br/


domingo, 3 de maio de 2015

A história de uma "Boa notícia"

     Quero contar aqui a história de uma canção, que foi dedicada a mim, num momento crucial. Agora, 10 anos depois, voltei a estudá-la e cantá-la para gravar. E contando para uma amiga a história dela, me conscientizei de como é significativa para mim.
     Em outubro de 2005, eu estava preparando o meu primeiro recital no mestrado na EMAC/UFG  -- Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás. Meu objeto de pesquisa era o repertório brasileiro contemporâneo, para voz em formações camerísticas, sem piano. (Nada contra o piano! Apenas, quis pesquisar como a voz se comporta sem o seu grande companheiro e apoiador, em formações diferentes). Neste recital, estariam tocando comigo um violão (Rodrigo Carvalho), uma flauta (Larena Araújo) e um contrabaixo (Sonia Ray). No repertório havia vários duos com cada um destes instrumentos e um trio para voz, flauta e violão. Minha orientadora, Sonia Ray, queria uma peça para terminar o programa. A princípio, ela queria algo que envolvesse os quatro músicos juntos. Impossível. Então, como havia um trio com voz, flauta e violão, ela resolveu que devia haver outro trio, que incluísse o contrabaixo. Sugeriu que eu adaptasse um trio para madeiras (oboé, clarineta e fagote) para a formação flauta/voz/contrabaixo. Difícil! Cheguei a encontrar um trio, mas a adaptação seria terrível, principalmente porque a parte da clarineta, que seria feita pela (minha) voz, não era nada "idiomática". Fiquei, então, com um problema enorme para resolver. Tinha que encontrar um repertório para flauta, voz e contrabaixo! Todos sabem que orientador de mestrado não é uma pessoa com quem se pode negociar (rs...). Ela não aceitaria uma desculpa e faltava pouco mais de um mês para o recital.
André Vidal, o compositor
     Naqueles dias, cantei num concerto na Escola de Música de Brasília  com meu amigo André Vidal e comentei com ele sobre este dilema. André, além de excelente cantor, é também compositor. Ele até se dispôs a ver a partitura do  trio, para me ajudar a adaptar. Nesta época, eu e André trabalhávamos juntos em vários projetos, como a Banda Antiga da Escola de Música de Brasília, o grupo vocal perSonare e estávamos sempre cantando juntos em algum evento. Nesta noite depois do concerto, André (um notívago, como eu) teve insônia. Passou a noite compondo...
Na manhã seguinte, recebi uma mensagem dele com o assunto "Uma surpresa". No texto da mensagem, escreveu: "Te mando uma boa notícia." Em anexo, estava a partitura de um trio para a formação flauta, mezzo e contrabaixo, feita sobre uma poesia que tinha este título: "Boa notícia". Ele escreveu para mim exatamente a obra que eu precisava para fechar meu recital. Então, além de ter uma estreia mundial no programa, que enriquece muito o repertório, eu tive uma obra dedicada a mim! Vários colegas acharam que eu tinha encomendado a obra. Mas, eu a recebi de presente de um grande amigo. É bom ter amigos. Amigos talentosos e generosos, mais ainda...
Larena Araújo, Sonia Ray e Rodrigo Carvalho
músicos que tocaram comigo no Recital Boa Notícia
     Assim, "Boa notícia" foi estreada em Goiânia, no dia 11 de novembro de 2005, no recital, que por idéia de Sonia Ray, levou o nome da canção. 
     Depois, eu a cantei mais 2 vezes. Num concerto no 30º CIVEBRA -- Curso Internacional de Verão da EMB, em 27 de janeiro de 2007, pouco antes do meu recital de defesa do mestrado, que foi em março daquele ano. Neste concerto, tocaram comigo Sergio Barrenechea (flauta) e Francisco Orrú (violoncelo, fazendo a parte do contrabaixo). André Vidal estava presente neste concerto e ouviu sua canção pela 1ª vez. Tivemos um grupo de música de câmara contemporânea na EMB: O LAB -- Laboratório de Performance e pesquisa em música. E num dos recitais deste grupo, em 15 de maio de 2008, "Boa notícia" foi tocada mais uma vez, com Davson de Sousa na flauta e Ricardo Vasconcelos no contrabaixo. 

 Abaixo, o programa do recital do mestrado, onde Boa Notícia foi estreada:





     Agora, 10 anos depois da composição, "Boa notícia" voltou a ser tocada, desta vez para ser gravada no CD autoral do André Vidal. Tive que reestudar e trabalhar para cantá-la novamente. Fui a Brasília e tive o privilégio de ensaiar e gravar com Davson de Sousa (flauta) e Rodolpho Borges (cello).
Eu e meu amigo André Vidal, num dos vários recitais que fizemos juntos.
     Sempre digo que não merecemos nada do que temos. Deus nos dá tudo que precisamos, por Sua graça. Naquela ocasião, Deus me abençoou com esta canção. Louvo a Deus pela vida do André Vidal, por sua música, talento, generosidade e por ser meu amigo. Mais uma vez, agradeço ao André por este presente maravilhoso. Foi um privilégio ganhar "Boa notícia" e poder cantá-la com músicos sempre competentes. E agora outra honra gravá-la no CD "A brisa e a rosa". Que bom que a canção ficará registrada no CD. Fica, então, registrada aqui a sua história. Espero que a gravação fique a contento. A história eu tinha que contar... é linda!

Cantemos!

quarta-feira, 11 de março de 2015

Sobre o estudo do canto

(Para Sandro Lima, que me fez pensar sobre isso.)    


     Por circunstâncias pessoais, estou há duas semanas afastada da sala de aula e longe dos meus alunos de canto. Estou corrigindo por e-mail tarefas que eles me mandam, que chamo de "Notas de contexto", sobre as obras que estão estudando e as traduções de seu repertório. Estou também orientando (via chat digital) um aluno que prepara seu primeiro recital. Fico, daqui de longe, lendo o que escrevem, percebendo suas dificuldades. E penso, concordando com eles: como é difícil estudar canto! São tantos os aspectos que envolvem este aprendizado. Os jovens estudantes, que já são uma exceção na sociedade, por se interessarem pelo canto erudito, entram nos cursos atraídos pelo repertório, provavelmente pela ópera. Ou pela técnica vocal, a possibilidade de cantar com "aquela voz", de ser um artista lírico. Só que... acho que entram meio enganados (coitados!) pois não sabem tudo que terão que passar e aprender para chegar a interpretar bem um Lied, ou uma ária de ópera. Vejamos:

# Tem que saber música (isso eles já sabiam). Mas tem que ser um bom músico e dominar muito bem uma das partes mais exigentes desta arte: o solfejo.

# Tem que dominar técnica vocal num nível muito alto, porque a arte que escolheram para exercer é a mais exigente neste aspecto. Exercícios diários são fundamentais.

# Tem que dominar a pronúncia de (no mínimo) seis idiomas, além do seu próprio. O repertório do canto está escrito nas línguas ocidentais tradicionais e deve ser interpretado na língua original em que foi escrito. Os estudantes/cantores brasileiros tem que cantar em italiano, francês, inglês, alemão, latim, espanhol. Além do bom português, que por incrível que pareça, às vezes, é mais difícil de cantar com a voz bem colocada, do que as outras línguas.

# Tem que compreender totalmente o texto de cada ária/canção que estão estudando/cantando, na maioria das vezes em língua estrangeira. Às vezes são poesias muito antigas, parnasianas ou simbolistas, que mesmo traduzidas para o português são difíceis de entender. 

# Tem que dominar a arte da "Declamação Lírica"(lembro que no currículo de canto da UFRJ havia uma disciplina com este nome). Não só compreender a poesia, mas saber dizê-la, senti-la, encontrar suas inflexões e a força expressiva de cada palavra. 

# Tem que conhecer muito bem expressão corporal e saber usá-la. Saber perceber e dominar sua postura, a expressão facial, seu gesto, para que sejam harmônicos com o que cantam, sem exageros. Dominar o equilíbrio entre o relaxamento e a tensão da musculatura do seu corpo, que é o seu instrumento. 

# Tem que dominar a arte dramática, pois o cantor lírico é também um ator. Ópera é teatro. Cantar bem não é suficiente. Tem que atuar bem, dominar o espaço cênico, assumir cada personagem e os diversos sentimentos que eles trazem em cena, seja na comédia, ou no drama.

     Na verdade, cada um destes aspectos é apoio para o outro. São interagentes, como fios de uma trama. A trama que forma o cantor. Infelizmente, quatro anos de um curso de graduação superior não é capaz de tecer esta trama. As atividades extra-curriculares são fundamentais: festivais, oficinas, montagens, cursos de línguas e outras vivências.

     Há ainda outros aspectos, que nenhum curso ou disciplina ensinam. O cantor lírico tem que ter boa cultura intelectual, conhecer arte de uma forma geral, saber se vestir adequadamente, se portar bem em público – ser bem educado. Por último, o cantor tem que ter equilíbrio emocional, pois vai enfrentar muita pressão, numa profissão onde nem sempre a competência é critério suficiente para o sucesso. 

     Não é fácil, mas é empolgante e vale a pena. Uma das coisas mais gratificantes é cantar bem, seja num recital, concerto ou ópera.

     Para mim, é um trabalho estimulante orientar os estudantes, pelo menos nos aspectos que estão ao meu alcance. Fico hoje curiosa, pensando em quem dentre os meus alunos de hoje, alcançará a carreira de cantor lírico no futuro. Hoje, são todos cantores em potencial. Faço a minha parte, exigindo, estimulando e tendo o prazer de perceber o crescimento a cada semestre.


C A N T E M O S !

sábado, 15 de novembro de 2014

Pensando sobre a morte do Paulinho...


Ontem faleceu um amigo.
De repente. 
Paulo Roberto Contaifer
Era cantor, tenor, cristão.
Super alegre e brincalhão.
Amigo de juventude do meu marido 
Cantamos juntos no Coral da UnB, nos coros da Igreja Memorial Batista de Brasília e em outros lugares...

Foi um dia super corrido.
Por isso, não parei para pensar.
Mas pensei...
Como somos frágeis!
Nossa vida é um sopro.
Mesmo.

Lembrei que o pregador que ouvi domingo a noite perguntou:
"Quem quer morrer hoje?"
Eu não queria...
Fiquei pensando:
Porque não queremos?
Porque não quero estar com JESUS hoje?
Porque quero mais estar aqui com pessoas do que na Glória, com Deus?

Talvez Paulinho não quisesse também.
Mas foi, na hora que aprouve a DEUS.

Acordei hoje com uma convicção:
DEUS é soberano.
ELE é absoluto.
É o dono da nossa vida.
Não temos poder nenhum.
Dependemos dELE.
Tudo que fazemos aqui pode acabar a qualquer momento, se for plano dELE nos levar. 
Não temos escolha, opinião em relação a isso.

Então, CARPE DIEM!
É preciso mais conexão com este DEUS SOBERANO.
Porque ELE é também justiça, amor e misericórdia.
Para que o que fizermos aqui tenha ligação com o Eterno.
Com a Eternidade, onde estaremos em breve, 
Com ELE.
Se não, não serve pra nada.

A música, o canto, tem que ser pra ELE.
Para servir às pessoas, porque ELE mesmo disse que fazendo o bem aos outros, fazemos a ELE.
Mas, temos que reconhecer isso.
Porque a arte pode nos levar a pensar que somos alguma coisa.
E não somos. 
NADA!


"Que é o homem mortal para que te lembres dele? 
E o filho do homem, para que o visites? 
Pois pouco menor o fizeste do que os anjos, 
E de glória e de honra o coroaste. 
Fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das tuas mãos; 
Tudo puseste debaixo de seus pés: 
Todas as ovelhas e bois, assim como os animais do campo, 
As aves dos céus, e os peixes do mar, 
E tudo o que passa pelas veredas dos mares. 
Ó Senhor, Senhor nosso, 
Quão admirável é o teu nome sobre toda a terra!"
(Salmos 8:4-9)

DEUS, meu SENHOR,
Quero te servir.
Quero te buscar.
Quero te louvar com a minha vida,
Enquanto vida eu tiver.
Porque continuarei a te louvar na glória.
E sei que irei para Ti, quando Tu quiseres

"Porque nós sabemos que, quando esta tenda em que agora vivemos for desfeita - quando morrermos e deixarmos este corpo - teremos um maravilhoso corpo novo no céu, 
um lar que será nosso para todo o sempre, feito para nós pelo próprio Deus,
 e não por mãos humanas."
2 Coríntios 5: 1



Até breve, Paulinho!


domingo, 9 de novembro de 2014

Chamada para cantar


Hoje tive a responsabilidade de trazer a mensagem no culto da Primeira Igreja Batista de Campina Grande, onde congrego há um ano. Tarefa difícil, porque nova. Estou acostumada a falar, mas nunca tinha assumido o púlpito num culto. Estamos no mês da música e o ministro de música, meu amigo/irmão/aluno Ulisses Azevedo, me deu esta incumbência. 
Para não me perder, escrevi o que queria falar. Escrever me ajuda a sistematizar idéias. Parte do que escrevi é um testemunho sobre como fui direcionada por Deus para o canto. É o que posto aqui. 


"Fui chamada a cantar.
Todos nós temos um chamado de DEUS. Não pense que você é exceção. Não pense que chamado é só para pastores e missionários. TODOS temos um chamado específico, para realizar alguma coisa: orar, aconselhar, criar filhos, ensinar, desenvolver uma habilidade.
Bem, eu fui chamada para a música, e para o canto. Tenho convicção disso. 
Há um tempo atrás, fazendo o curso de crescimento cristão “Conhecendo Deus e fazendo sua vontade”, fui levada a um exercício interessante: reconhecer ao longo da vida, "marcos" em lugares (momentos) importantes. Como o povo de Israel e os povos antigos faziam: deixavam marcas, colocavam pedras, pra se lembrarem: “aqui o SENHOR nos livrou”, "ali o SENHOR nos abençoou"... Marcavam momentos e lugares em que experimentaram a mão de Deus agindo. "Marcos memoriais", para não esquecer. Fomos orientados a fazer o mesmo: olhar para trás e perceber onde DEUS tinha agido de forma clara e usado pessoas (pedras vivas) para nos ensinar, orientar. E eu pude ver, perceber, como DEUS realmente me levou, desde pequena a fazer música e depois canto. 

Meu primeiro MARCO é minha família. Nasci numa família onde a música tem muito valor. Meus pais, meus tios estudaram música. Havia piano nas casas dos meus avós, tanto Mello como Mestrinho. Meu pai foi pianista e organista, tocou nas igrejas de sua juventude. Eu lembro muito de meu pai tocando piano em casa. Tocava de cor uns prelúdios e estudos românticos. Minha mãe toca até hoje. Ela não pode estudar muito formalmente, mas com o pouco que estudou, desenvolveu bastante, pois é muito musical. Regeu coros em várias igrejas e compõe hinos e canções. Toca violão, sem nunca ter estudado. Meu pai passa o dia ouvindo música de concerto. Ele gosta dos românticos. Se você chegar na casa dos meus pais, pode ter certeza, que ele está lá fazendo palavras cruzadas e ouvindo Tchaikovsky, que é seu preferido. Eu, meu irmão e meus filhos conhecemos as sinfonias de Tchaikovsky. Não sabemos diferenciar uma da outra. Se é a 4ª ou a 7ª, mas se ouvimos no rádio, ou num filme, reconhecemos quando é Tchaikovsky. De tanto ouvir, desenvolvemos um “radar”. Já aconteceu de eu e Hadassa estarmos vendo um filme e começar a tocar uma música na trilha sonora... a gente olha uma para a outra e começa a rir: é Tchaikovsky. Ele ouve outros compositores também: Chopin, Rachmaninof, Beethoven, Mahler, sempre os românticos ... Mas, o preferido é Tchaikovsky. Já minha mãe gosta do barroco. Lembro de cor alguns concertos grossos de Vivaldi, de tanto que ouvi. É uma herança maravilhosa que tenho deles: aprendi a valorizar a boa música. 

Comecei a estudar piano aos 5 anos. Tinha uma vizinha que tocava e minha mãe me colocou para fazer aula. Não tinha piano em casa. Na minha caderneta vinha escrito: “estudar na ponta da mesa”. Eu fazia os exercícios imaginando um teclado na mesa. Com 9 anos meus pais compraram um piano usado. Tocar piano foi minha atividade preferida em casa, durante anos. Adorava sentar e ler músicas novas, estudar...

O segundo "marco" foi a Primeira igreja Batista de Copacabana, onde congreguei na adolescência. Lá várias pessoas (pedras vivas) me influenciaram. Músicos que eu admirava. Minha professora de piano nesta época, Dione Pereira Vasconcelos era da igreja. Eu ia a casa dela em Copacabana fazer aulas. Ela era muito paciente, atenciosa e conversávamos muito... Ela me ensinava a tocar hinos do cantor cristão e cânticos, além das peças de piano. Pr. Bill Ichter, missionário americado que regia o coro da igreja, foi outra influência. Lembro que a 1ª vez que toquei um hino num culto, toquei muito mal. Me atrapalhei, nervosa, não consegui acompanhar a regência. Depois do culto, ele veio me elogiar. Eu sabia que não tinha tocado direito, e que não merecia o elogio. Mas, ele elogiou assim mesmo, para me incentivar. Nunca esqueci... Outra pessoa foi Rizemar Confessor. Era pianista e cantora. Cantava de um jeito estranho para nós adolescentes da igreja. Porque cantava com a voz "colocada". Eu achava lindo! Queria ser igual a ela. Os 3 foram usados por Deus como referências para mim.

O terceiro "marco" foi a UnB. Comecei a fazer o curso de Letras. Mas, Deus tinha outros planos. O Coral da UnB, regido por Nelson Mathias me fez perceber que o que eu queria fazer era música. Fiz outro vestibular, desta vez para piano. Entrei no curso de música como pianista, mas por várias razões, acabei trocando para o bacharelado em canto. Tudo plano de Deus. Nada é por acaso... Vários professores ali foram referência para mim. O ambiente universitário até hoje me encanta pela busca do conhecimento. Deus sempre me fez "voltar" para a universidade. Cada vez uma diferente e em situações diferentes... mas nunca consegui ficar longe da academia.

Zuinglio Faustini foi  "marco" em minha vida.  Meu primeiro professor de canto, com quem me formei na UnB e cuja técnica uso até hoje em minhas aulas. Viu em mim um potencial que nem eu sabia que tinha. Foi muito exigente comigo. Saí chorando da sala dele algumas vezes... Me incentivou muito. Exigiu que eu fizesse um concurso que eu achava que não estava preparada. Acabei sendo chamada para a 2ª vaga nele e assumi meu primeiro trabalho como docente, na Universidade Federal de Uberlândia. No último ano do curso, tive o prazer de cantar ao lado dele em vários concertos. Que saudade do Zuinglio!

Oportunidades de trabalho foram "marcos" significativos. Deus me deu vários  trabalhos, que foram oportunidades de aprendizado. Aprendi muito nos 3 anos que cantei no Coro Lírico do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Nenhum curso sobre ópera, ensina tanto quanto cantar num teatro de ópera...
Aprendi ensinando na UFU, UFRJ e na Escola de Música de Brasília. Aprendi com meus colegas da música antiga a cantar um estilo que apreciava, e não achava que podia cantar. Foram tantas as pessoas que marcaram minha vida na EMB.
Fica claro para mim que Deus me chamou para aprender e depois ensinar a arte do Canto Lírico. Tive vários empregos em instituições diferentes, pedi demissão de alguns. Me mudei de cidade muitas vezes. Mas, nunca me faltou trabalho. Acabei optando mais uma vez pela carreira de docente universitária.

Hoje trabalho na Universidade Federal de Campina Grande - PB, ensinando o que aprendi ao longo desta "peregrinação". Meu ministério é cantar e ensinar jovens a utilizar melhor seu instrumento-voz. Tenho certeza que foi Deus que me trouxe até aqui. Olhando para trás, posso ver estes "marcos" que Deus usou em minha vida. Todos importantes. Agradeço a Deus por cada pessoa que me influenciou e incentivou.

Sou cantora e professora de canto, totalmente realizada. Trabalho servindo ao DEUS que me chamou para cantar.
CANTEMOS!!!