Malú Mestrinho

Apresentação

Olá!
Este é meu blog pessoal.

Aqui pretendo comentar sobre coisas que vi, ouvi e vivi.
Gosto de escrever e às vezes sinto um impulso de compartilhar... Como não sei exatamento com quem, resolvi criar este espaço e deixar que pessoas acessem e leiam quando quiserem.
Pretendo também escrever e trocar idéias sobre a arte do canto. Mais especificamente do canto que interpreta a música chamada erudita.

Malú Mestrinho
(em julho/2010)


domingo, 6 de outubro de 2019

Mais 10 filmes sobre Canto (sobre Música...)



     O texto 10 Filmes sobre canto (clique pra ler, se quiser), que publiquei em 16 de julho de 2011, é um dos mais lidos do sobreCanto – mais de 700 visualizações até hoje. Eu o escrevi há 8 anos, para meus alunos em férias, querendo que aproveitassem o tempo vago de forma útil. Cinema é uma ótima ferramenta de informação e formação. Para estudantes de canto erudito – estes jovens ETs  – ver um filme, às vezes, pode abrir horizontes, despertar curiosidade sobre um tema... e ajudar a compreender melhor o vasto universo da música erudita e do canto lírico. Mas, percebi que o texto alcançou outras pessoas além dos meus queridos pupilos. Como a lista é pequena, resolvi então complementá-la com outra lista de 10. Só que fica cada vez mais difícil que eles sejam só sobre canto. Na verdade, são sobre música.
      E não posso mais dizer para irem a uma locadora procurá-los, porque não existem mais locadoras! Estamos na fase do filme digital. Procurem nos aplicativos como NetFlix ou canais de TV por assinatura, preferencialmente, os que oferecem filmes "cult", ou filmes de arte. Sorte dos que tiverem amigos colecionadores de DVDs e Blue-ray, que talvez possam emprestar. E ainda há a opção de adquirir pela internet.

        Então vamos lá aos outros 10 filmes sobre música:

1 - A noviça rebelde (The sound of music, 1965) - Adaptação para o cinema de um musical que fez muito sucesso nos palcos dos anos 60, sobre uma família austríaca que aprende a cantar, enfrentando o nazismo, na 2ª guerra. Destaque para a maravilhosa Julie Andrews. Muitas canções lindas, que se tornaram clássicos...

2 - Minha amada imortal (Immortal beloved, 1994) - uma ficção sobre um suposto amor de Ludwig van Beethoven, para quem ele haveria deixado uma herança.

3 - O segredo de Beethoven (Copying Beethoven, 2006) - outra ficção sobre Beethoven e seu  relacionamento com uma amanuense (copista), que o teria ajudado nos últimos anos de surdez e com a Nona Sinfonia.

4 - Música do coração (Music of the heart, 1999) - Filme lindo sobre uma professora de violino (Meryl Streep) e um projeto com alunos carentes no Harlem.

5 - O som do coração (August Rush, 2007) - Fantástica ficção sobre um menino, gênio musical, filho de dois músicos, criado como orfão e descoberto depois pela Juliard. Preparem os lenços...

6 - Adorável professor (Mr. Holand's opus, 1995) - excelente filme para refletir sobre o ensino da música, recomendado a educadores musicais e estudantes de licenciatura em música. Conta a história de um professor de música de um colégio tradicional no EUA e a relação entre seus ideais musicais e a dura realidade.

7 - Fantasia, 1940 - O mais antigo deste post, foi feito ainda pelo Walt Dysney em pessoa. Vale muito à pena ver as maravilhosas animações feitas para grandes obras orquestrais. O Fantasia 2000 (1999) é muito bom também. Mas, na minha opinião, não conseguiu superar o sucesso do seu ancestral da década de 40, quando os desenhos ainda eram feitos à mão.

8 - Villa-Lobos, uma vida de paixão, 2000 - sobre a vida do nosso maior compositor. É uma boa produção do cinema nacional. A trilha sonora foi gravada pelo coro e orquestra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Eu tive o privilégio de participar deste projeto, pois cantava no coro do TMRJ nesta época. Então, minha voz está lá, no Chorus 10 e no Noneto, que se ouve no fundo de algumas cenas... 

9 - Callas Forever, 2002 - uma ficção de Franco Zeffireli, sobre os anos finais da  maior Diva do século XX. Já em decadência, ela interpreta Carmen numa produção da ópera para a TV.

10 - O quarteto (The quartet, 2012) - gostosíssima comédia sobre quatro cantores, que na velhice se encontram num asilo e tentam remontar o quarteto do Rigoletto. Os amores e rivalidades antigas vem à tona...

       Eu comecei este texto há 3 anos... e o editei várias vezes. Espero que seja útil ou interessante para você que o achou. Sou uma amante da Sétima Arte e uma serva da Primeira. As duas se encontram e se relacionam de várias maneiras... e, de certa forma, se completam. 
        Viva o cinema!
        Viva a música!
        Cantemos... 









quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Brasília, um recomeço...

Tanto tempo sem escrever!
Tentei várias vezes voltar ... Cheguei a iniciar alguns textos, mas não consegui publicar nenhum. A mudança radical de vida, de status, cidade, estado civil ... (tantas!), de alguma forma, me dificultou a expressão escrita, que já me foi tão fácil. 
Então recomeço, contando um pouco do que que vi e vivi, neste tempo de ausência no sobreCanto.
Deus me deu um novo tempo.  
Tempo de retorno a Brasília, meu porto seguro... sem mar.
Tempo de ficar perto da família, pais, filhos e, agora, netos.
Tempo de recomeços, redescobertas e novas definições.
Alguém comentou aqui no sobreCanto "por onde você anda, Malú?". 
Bem, estou em Brasília. Voltei "pra casa", a cidade onde estão minhas referências, meus amigos.
 Cidade que conheço como nenhuma outra (tirando Águas Claras, onde sempre me perco... rs). Morei em Brasília ainda criança, no inicio dos anos 70. Depois vim novamente, em 79, adolescente. Aqui, comecei a namorar o homem que se tornou meu marido. Aqui casei e tive meus dois filhos. Aqui decidi me dedicar à música e ao canto. Estudei na UnB, onde me formei em Licenciatura em Música e Bacharelado em Canto. Meus professores de referência foram daqui, desta época. Lecionei 11 anos na Escola de Música de Brasília. Morei no Guará, Asa Sul e Asa Norte, em nove apartamentos diferentes. Juntando tudo, tenho 27 anos em Brasília. Saí e voltei várias vezes, em épocas diferentes. Presenciei várias fases da cidade, desde os espaços vazios de terra vermelha dos anos 70 até esta Brasília cheia e mais complicada, com engarrafamentos... O parque mudava de nome a cada mudança! De vez em quando ainda vem o nome Piton Farias na cabeça...
Por isso tudo, numa situação nova, inesperada, não havia lugar melhor para estar, do que Brasília. E não foi fácil ficar... muita luta, até judicial. Mas, Deus, que é sempre bom, meu justo juiz, pleiteou a minha causa. Restaurou minha vida profissional, e ... quem diria, estou lecionando na UnB, onde me formei há mais de 25 anos. Parecia impossível. Mas, pra ELE... nada é impossível. Estou lá, ensinando nas mesmas salas onde aprendi tanto! Como se estivesse retribuindo o que recebi... 
Nada é permanente nesta vida... definitivo mesmo, só a outra casa que tenho na cidade eterna. Mas, por enquanto, Brasília é o meu lar, o meu chão. Fico aqui. 
Estou feliz. 
Graças a Deus. 


(Texto iniciado em 2017... editado várias vezes. Só consegui publicar agora, setembro de 2019)


sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Lembranças do rio



Ainda sonho com o rio...
Aquela imensidão de água que inundou meus olhos e não sai de mim.
O rio entrou em mim de várias maneiras.
Sua água me penetrou, me adoeceu.
Sua verdade me impressionou e dela não esqueço.
Sua imagem ficou na mente. Se fecho os olhos, eu vejo a água.
Um mundo de água, dizíamos...
Agua densa. Parecia outro elemento, às vezes.
Agua forte, que leva em sua corrente o que estiver no caminho.
Em alguns momentos parecia que a água é que levava o barco. E que a força que ele fazia era para não ser levado por ela.
Ficar no convés, olhando o que vinha à frente, sentindo o vento, vendo os desenhos que a água formava à medida que avançamos, era um exercício diário de contemplação, que acalmava o confinamento.
De repente uma casa... sozinha, no meio do nada, chama a atenção. Como pode alguém viver ali, tão distante do que entendo por mundo?
É uma outra realidade, dificil de entender...
O som do motor do barco me fez falta, por dias. Como o balanço do barco, horas depois, ainda me desequelibrava...
"Segura no parapeito!" me gritou o marinheiro... mas era outra palavra. Porque aquele é outro mundo.
O mundo do rio...
Um rio-mar
Rio Negro
O rio...

sábado, 20 de maio de 2017

MARIA

Encontrei este poema que escrevi em 2015 para o Concerto MUSAS, retratando a mulher da canção "Olha Maria". Não o usamos... o programa já estava longo.
O nome Maria sozinho é lindo. Era o nome da minha avó materna. Eu também sou Maria, como muitas na família. Apelidei a minha filha carinhosamente de Maria, apesar de ela não ter Maria no nome. Mas é a minha Maria preferida...
No MUSAS, Maria sintetizava o nome da mulher brasileira. Somos todas Marias.


MARIA
"Buste de jeune femme" (Picasso 1926)
Salve Maria
Maria da Graça
Maria que passa
O dia a passar...
Maria da Penha
Maria do Beco
Maria da porta
Da janela, do portão

Ave Maria
Maria que reza
Maria que ora
Que chora e que ri
Maria que espera
O dia que não chega

Maria esperando 
O príncipe encantado
A volta do filho
O emprego decente
A noite do baile
O carinho de alguém

Maria se abraça
Aperta o seu colo
Soluça baixinho
Maria não grita
Só cala o desdém

A doce Maria
Que tanto esperou
Rezou, orou
Chorou e calou
Também se cansou
Cansou de esperar

O dia não veio.
E agora, Maria?
Com tanta vontade
De fazer-se alguém
De ser mais mulher
De ser mais feliz
Decide ir embora
Pois, se o dia não chega
Maria percebe
Que tem que mudar

E lá vai Maria
Caminha depressa
Olhando pra frente
Visando o futuro
Pra ser diferente

O teu dia, Maria
Nasce agora
Encontrarás força
E farás o teu dia
Construindo a cada manhã
Um futuro melhor

Alegra-te Maria!
Segue adiante
Sabendo que há muitas
Marias como tu
Somos todas Marias
Maria 
Mulher


sexta-feira, 31 de março de 2017

Madrigal Ars Femina

       Grupos vocais femininos tem sido uma constante na minha vida. Acho que Deus me escolheu para trabalhar com vozes femininas, o que me fez aprender bastante e tem me dado muita alegria. 
       Tive oportunidade de trabalhar com vários grupos. Os três principais, foram em lugares e épocas diferentes. O primeiro foi o Kálamo, nos anos 90, na Igreja Memorial Batista de Brasília. Éramos sete cantoras, de duas famílias muito amigas (Sylvestre e Santos). Cantamos juntas durante uns cinco anos. Eu era recém-formada na UnB, nossos ensaios eram na minha casa e lembro que era difícil manter uma disciplina, porque éramos jovens, amigas/irmãs demais... e como fazê-las me respeitarem (rs...)? Foi um grupo muito bom, que deixou história. De vez em quando, nos encontramos e lembramos com saudades das canções e planejamos nos juntar pra cantar de novo.
        Depois veio o Maria Bonita, que antes de ser Maria Bonita, foi o Grupo Vocal Feminino da UFMS. Muito diferente do Kálamo, foi um projeto de extensão que eu criei na UFMS (Campo Grande - MS). Eram alunas minhas que gostavam de cantar e... bem, há dois artigos sobre este grupo aqui no sobreCanto. Então, quem quiser saber mais, pode ler em: Grupo Vocal Feminino da UFMS e/ou  Maria Bonita. O "Maria" foi uma experiência muito boa pra mim. Nos tornamos amigas e tenho muita saudade do trabalho, do grupo e das cantoras.
       O último grupo foi o Madrigal Ars Femina, que dirigi nos últimos 3 anos, na UFCG, em Campina Grande - PB. Eu ouvi o nome "Ars Femina" em Brasília, nos anos 90... era um coro feminino da Escola de Música, regido pelo Maestro Marco Aurélio Coutinho. Achei o nome fantástico! Na época eu dirigia o Kálamo e pensei, "se um dia eu tiver um coro feminino, vou colocar este nome". Nunca cheguei a ter um coro feminino e na verdade, não sou uma regente e sim uma cantora. Por isso, estes três grupos, eu dirigi de forma participativa: cantando com elas. Tentei colocar este nome no grupo da UFMS, mas fui democrática demais e as meninas não gostaram dele... acharam muito complicado. Desta última vez, não dei opção, este seria o nome e ponto final. Funcionou, mesmo com as pessoas pronunciando errado de vez em quando... rs. As cantoras paraibanas, ao contrário das sul-mato-grossenses, gostaram de ter um nome diferente, em latim, que tinha que ser explicado. Típico da personalidade nordestina, elas gostam de chamar atenção e de ser diferente. Ou, na linguagem delas... de "se amostrar".
       O Madrigal Ars Femina surgiu da classe de Canto Coral da Graduação em Música da UFCG, em 2014, que tinha apenas 10 moças, contra 30 rapazes. Resolvemos dividir em duas turmas, pela impossibilidade de equilibrar os naipes. Começamos ensaiando a Messe Basse de G. Fauré, pois, como eu disse, nordestino não quer saber de coisa simples não... fomos logo pra um repertório elaborado, romântico, que exige muita técnica. E já nascemos com a apresentação marcada: em dois meses estreamos no Concerto da Paixão, no Mosteiro Santa Clara. A partir daí, o grupo cresceu tecnicamente e continuamos aceitando desafios, como cantar obras modernas e exigentes, passando pela estréia brasileira do Magnificat de um compositor contemporâneo holandês. Os ensaios eram dentro da aula de canto coral, mas ficávamos uma hora a mais, porque nossos planos eram altos. Trabalhamos bastante e fizemos muita música boa, da renascença à MPB. O projeto MUSAS, talvez tenha sido o ponto alto de tudo que fizemos (leia sobre em Concerto MUSAS). Nem todas as cantoras eram estudantes de canto, mas conseguimos um resultado sonoro muito bom. Passamos por formações diferentes, como sempre acontece com projetos ligados a uma disciplina acadêmica. Mas algumas cantoras permaneceram, independente de serem alunas ou não.
       Eu me despedi do Madrigal Ars Femina cantando com elas A Ceremony of Carols de B. Britten, em Brasília, em novembro de 2016. Esta viagem foi um projeto sonhado e suado, que, graças a Deus, conseguimos realizar. E foi um sucesso. Cantamos a obra na sua formação original: vozes femininas e harpa, com a excelente harpista Cristina Carvalho. O concerto foi junto com o coro Cantus Firmus Infanto-juvenil, e regido pela Maestrina Isabela Sekeff. Momento difícil pra mim... eu havia perdido meu marido há pouco mais de duas semanas. Este último compromisso do Ars Femina, me obrigou a reagir em vez de me recolher. Foi bom. Difícil, mas muito bom. Vivenciei, como nunca, a verdade de que cantar é terapêutico. Durante estes dias em Brasília, ensaiamos, fizemos o concerto, passeamos, conversamos, choramos e rimos muito juntas. Mas, tivemos que nos separar. Elas voltaram para Campina Grande e eu fiquei em Brasília. 
       Para mim, foi um privilégio dirigir o Madrigal Ars Femina, conviver e cantar com estas cantoras paraibanas lindas. É claro que nem tudo foi fácil, tivemos várias dificuldades, mas o saldo foi super positivo. 
       A tragetória do Madrigal Ars Femina foi a mais curta destes grupos que mencionei. Mas, não posso negar, que, por sua intensidade e seriedade (imposta pelo ambiente acadêmico ao qual estava ligado), foi o grupo que mais se desenvolveu tecnicamente e musicalmente e, por isso, o que me trouxe mais gratificação. Saudades? Atrozes e excruciantes... 
       Queridas cantoras do Madrigal Ars Femina, obrigada pela parceria destes três anos. Obrigada por trabalharem e cantarem comigo. Obrigada pelo carinho, pela compreensão e por este abraço tão gostoso e inesquecível. 
       Somos todas Marias
       Somos todas MUSAS
       Somos todas cantoras
       "Somos todas sopranos" (piada interna)
       Transeamus

       Um xero, 

       Malú