Malú Mestrinho

Apresentação

Olá!
Este é meu blog pessoal.

Aqui pretendo comentar sobre coisas que vi, ouvi e vivi.
Gosto de escrever e às vezes sinto um impulso de compartilhar... Como não sei exatamento com quem, resolvi criar este espaço e deixar que pessoas acessem e leiam quando quiserem.
Pretendo também escrever e trocar idéias sobre a arte do canto. Mais especificamente do canto que interpreta a música chamada erudita.

Malú Mestrinho
(em julho/2010)


sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Dona Laura e o Salmo 121

        Sempre que viajo, lembro do Salmo 121, que decorei desde pequena. Na família Mestrinho, temos a tradição de recitar este Salmo inteiro sempre que se vai viajar. Lembro de fazermos isso na saída da casa do vô Mestrinho, em Curitiba. Passávamos sempre os fins de ano lá e no dia da volta, antes de sair, perto da porta, o vovô orava e recitávamos juntos este Salmo. Lembro bem da voz firme da Vó Noquita dizendo: "Elevo os meus olhos para os montes, de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor que fez o céu e a terra...". São seis versículos que falam do cuidado de Deus o tempo todo, em todo lugar, na saída e na chegada. 

        Mas, quero escrever sobre outra memória relativa a este salmo: uma música cuja melodia sempre me vem à mente, quando viajo de carro. Eu a aprendi com D. Laura Granja, uma amiga querida da família, que já está no céu, com o Senhor que nos guarda. Dona Laura era organista da Igreja Memorial Batista de Brasília. Nos anos 80, eu estudava piano seriamente e passei a tocar nos cultos da IMBB, acompanhando o Coro Memorial. Ela era minha veterana neste ministério e tinha todo um sistema, que ela me ensinou, incluindo as introduções e "descansos" (pequeno trecho que se tocava antes da última estrofe) dos hinos congregacionais. Naquela época, só se usava o Cantor Cristão e o hinário dela já tinha tudo isso marcado. Ela organizava tudo, escolhia durante a semana os prelúdios, interlúdios, todos os "lúdios" que houvesse. E tínhamos que ensaiar durante a semana estes duos que o piano fazia junto com o órgão. Se fosse outro organista, só se combinava as músicas e "dava-se uma passada" antes. Mas, com D. Laura, tinha que ensaiar, por causa do zelo que ela tinha com este trabalho. Ela já trazia para o ensaio as cópias das músicas pra mim. Eu cheguei a ter uma pasta com as partituras de D. Laura, que tinham as iniciais LG. Uma destas músicas era este Salmo 121, que tocamos alguma vezes. Eu nem gostava muito da música. Existem outras músicas com a letra deste Salmo, que aprecio mais. No entanto, por uma razão muito especial, eu decorei este hino e o canto em minhas viagens. 

        Em 1983, meus pais se mudaram para Rondonópolis - MT, e D. Laura queria visitar minha mãe lá, unindo o interesse de conhecer aquela região. Combinamos e fomos juntas de ônibus, visitá-los. D. Laura era muito alegre e amava música. Fomos na ida e na volta conversando, rindo e cantando hinos. Na estrada de Brasília até lá, o relevo do horizonte vai mudando aos poucos. O planalto vai ficando pra trás e de repente começam a aparecer pequenas montanhas. D. Laura atenta à paisagem que a janela do ônibus mostrava, comentava sobre o gado, as plantações, a soja. E quando as montanhas apareceram ela começou a cantar: 

"Para os montes olharei
Donde me vem salvação
Meu socorro vem de Deus
O Senhor da criação.
 
O Senhor é quem me guarda,
Guardará de todo o mal
Minha entrada e saída
Desde agora e até o final"

        Aprendi a poesia ali com ela, cantamos juntas e memorizei a canção. A viagem toda foi ótima, mas lembro de poucos detalhes dela. Este momento e a música ficaram em minha mente. Hoje em dia, não viajo mais de ônibus, mas gosto de viajar de carro e de dirigir na estrada. Em minhas viagens, seja onde for, quando aparece uma montanha, esta melodia me vem à mente e eu a canto.

        Encontrei uma gravação razoável do hino que D. Laura me ensinou. Não se compara com a forma espontânea de se cantar a capela, viajando... mas, serve para conhecer a música. 

        
        Por último, deixo aqui a íntegra do Salmo 121. Ele me abençoa sempre.

"Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro?
O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra.
Ele não permitirá que os teus pés vacilem; não dormitará aquele que te guarda.
É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel.
O Senhor é quem te guarda; o Senhor é a tua sombra à tua direita.
De dia não te molestará o sol, nem de noite, a lua.
O Senhor te guardará de todo mal; guardará a tua alma.
O Senhor guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre."
(Salmos 121) 


        Transeamus.

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Confidências, Ernesto Nazareth e Neusa França

      Neusa França foi atraída para a música e para o piano através da apreciação musical. Tinha apenas 4 anos e parava para ouvir sua tia Zizinha, que era também sua madrinha, tocar piano. A menina gostava de ouví-la tocar. Ela mesma narrou isso em entrevista a Dib Franciss, em 2005. Neusa menciona a valsa "Confidências" de Ernesto Nazareth. Ela conta que sua tia tocava muito bem Nazareth e que ouvia a tia tocar esta valsa: 

        -- "Lembro-me tanto dela tocando Confidências, nunca me esqueci." 

        Ela gostava tanto de ouvir a tia tocar, que pedia para repetir: 

         -- "Toca de novo, Tia Zizi! toca de novo! Outra vez..." 

     Fico imaginando que tipo de criança era Neusa França, que aos 4 anos de idade se sentava para ouvir um adulto tocar "Confidências". Claro que os tempos eram outros. Antes da Televisão, internet, video-game, etc. Mas, a inquietude da criança era a mesma... 

       Aqui em casa, se começo a tocar qualquer coisa, as crianças não dão a mínima atenção. Meu piano fica de "fundo musical" para as brincadeiras e bagunças  Acho mesmo, que Neusa França era especial. Deus a fez moldada para amar e viver música desde sempre, desde pequena. Por isso, ela transpirou música durante toda a sua vida e disseminou esta boa influência por onde passava. Visão romântica? Pode ser. Assumo que estou numa fase de Neusofilia aguda. Aliás, faço parte, com orguho, do grupo "Neusófilos para sempre" formado por alunos e amigos de Neusa França. Alguns que fazem parte deste grupo a conhecem melhor do que eu, conviveram mais com ela do que eu. Mas, tem sido rica a troca de lembranças e informações, especialmente agora, que estou escrevendo uma tese de Doutorado sobre as canções de câmara dela.

        Chamou-me a atenção o fato de ela lembrar especificamente a valsa "Confidências". Fui ouví-la e é mesmo linda... singela. É até simples, comparada com outras peças de Nazareth. Mas, ela tem uma profundidade, uma melancolia, que torna difícil ouvir sem se emocionar. Consegui a partitura de "Confidências" e estou aprendendo a tocá-la. As duas primeiras partes são mais fáceis, já consigo tocar. Mas, a terceira parte ainda preciso estudar mais. 

       A própria Neusa se tornou uma exímia intérprete de Ernesto Nazareth, sempre tocando obras dele em seus recitais e indicando-as a seus alunos. Em 1977, fez um recital em homenagem a ele, na Sala Funarte, em Brasília. Ela abre o recital com "Recordando Nazareth", composição dela, que homenageia o compositor. Ela toca quatro peças dele sozinha ao piano e o restante do programa com a flautista Odete Ernest Dias e um regional de choro. 
  Aqui, o link deste recital no Youtube: https://youtu.be/naOUEHI4cZs?si=fikeXb03wlfHYmrL. Infelizmente a gravação tem ruídos. Mas, mesmo assim, é fantástico. Ainda estou me acostumando com a Neusa França chorona, pois a conheci como uma pianista erudita e não conhecia este seu outro lado. É incrível a facilidade que ela tinha de migrar do repertório erudito para o choro. E ela tinha uma ginga impressionante! Esta ligação com o choro e com música popular brasileira se reflete em suas canções. Em Neusa França, tudo está ligado, o piano, o choro, as canções... são partes de um todo, que formam o seu rico universo musical. 

      A melodia de "Confidências" tem embalado meu trabalho na tese. Gosto de ouvir interpretações deferentes dela. E de vez em quando, sento ao piano para tocar... No link abaixo, pode-se ouvir a interpretação de Neusa França, tocando "Confidências".  

           https://youtu.be/9IcgKHOFzP8?si=LwukHphBuiJoIncr&t=164

         E por último, deixo aqui o vídeo da maravilhosa Neusa França, tocando o seu delicioso  "Recordando Nazareth" em seu recital na Casa Thomas Jefferson, em abril de 2007.  



       

         Viva Neusa França!

        Viva Ernesto Nazareth!





quarta-feira, 10 de maio de 2023

Uma surpresa na pesquisa sobre as canções de Neusa França...

    Estou editorando uma nova canção de Neusa França. Nova, no sentido de que, na lista das canções a editorar, dentro do trabalho de pesquisa, terminei uma e começo esta agora. Mas, não é nova para mim, pessoalmente. Pois, já a conhecia. Eu a cantei com a Neusa ao piano, em 2006. Chama-se “Balada para a Mulher”, com poesia de Nazareth Tunholi, amiga de Neusa, a quem conheci, nesta época. Elas duas faziam parte da ALMUB (Academia de Letras e Música do Brasil). 
            Estou atualmente, também – porque faço várias coisas ao mesmo tempo na pesquisa, não tenho muito método (ou, num olhar condescendente, este pode ser considerado o meu método,,,) – selecionando as canções de Neusa França, que cantarei em recital. Preciso fazer isso agora, para aproveitar o contato presencial com Angelo Fernandes, meu co-orientador no Doutorado, que tocará comigo. Ele é maestro, excelente pianista, professor de canto e estou em Campinas, trabalhando com ele, numa rara oportunidade de ensaiarmos, já que moro em Brasília. No processo de seleção para o recital, minha primeira reação foi deixar "Balada para a mulher" de fora. São cerca de 30 canções, das quais cantarei apenas 10, e esta não é das minhas preferidas.
            Aconteceu, então, que os dois processos se uniram, num momento que me emocionou. 
Para iniciar a editoração, abri todos os arquivos que tenho da canção: a minha partitura física (uma cópia xerox do original, que me foi dada pela compositora há 17 anos), e as duas partituras digitais da canção, que se encontram no acervo de Neusa França, cedidas para a pesquisa pelo Instituto Piano Brasileiro. Assim que olhei para a partitura, eu lembrei da canção. Num misto de solfejo e exercício de memória, cantarolei a melodia. Abri o arquivo digital da partitura original, com a parte de piano junto com a do canto. Logo depois, abri o arquivo da partitura para o canto (ela costumava escrever a parte do canto separada, em outra partitura). Sempre observo atentamente os detalhes de cada partitura, pois, Neusa França anotava informações, que são preciosas para a pesquisa. E na capa da partitura para voz, encontrei algo que me impactou profundamente: 

(Para a grande cantora Malú Mestrinho apresentar em 1ª audição na homenagem a novos membros da ALMUB na data de 28/7/06 no Auditório da UNB.)

Esta é a caligrafia de Neusa França, que já acho bonita normalmente. Mas, lendo nela a referência a mim e o meu nome, tive uma sensação de deslumbramento. Na minha partitura, que é cópia do original com o piano, não há nada disso. Não peguei com ela esta linha separada do canto, que era para mim. Tanto que ficou no acervo dela. Eu sempre preferi ler a minha parte junto com a do piano. Então, foi realmente uma surpresa! Me veio um sentimento quente, de perceber/lembrar que ela gostava de mim. Lágrimas vieram junto. Estou só, no meio da madrugada, ninguém para compartilhar a descoberta. Só Deus, a quem sou sempre grata pelo privilégio de trabalhar com a obra de Neusa França. Por isso, escrevo aqui. 
Sim, fui eu quem fez a primeira audição desta canção, na ocasião que ela menciona na anotação. A data da primeira audição é dado técnico importante, que eu não tinha sobre esta canção. Lembrei de tudo, do dia, da cerimônia, da canção. E a poesia tem tudo a ver com esta mulher artista, a quem estou aprendendo a dar o devido reconhecimento. 
Neusa França foi uma artista muito especial. Enquanto esteve aqui, encantou a muitos com sua música. Foi especial para mim pessoalmente, que pude trabalhar e cantar com ela. Ela é especial hoje, num momento diferente, de uma forma diferente. A descoberta da sua anotação sobre mim me leva a tratar esta pesquisa ainda com mais carinho. 
“Balada para a mulher” acaba de entrar na lista do repertório do meu recital de Doutorado. 

            Cantemos! 

domingo, 23 de abril de 2023

Neusa França... e a pesquisa sobre suas canções.


Pianista
Concertista
Virtuose
Compositora
Poetisa
Professora
Escritora
Educadora musical
Promotora Cultural



        Ela foi tudo isso, mas meu foco agora é no compositora, porque estou pesquisando sobre suas canções e é importante lembrar que ela compôs muito mais do que o Hino Oficial de Brasília, pelo qual é mais lembrada. 
      Conheci Neusa França na época do Projeto Antologia da Canção Brasileira, da Escola de Música de Brasília. Não que eu não soubesse quem ela era, e não a tivesse assistido tocar nos concertos da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional, que, nós alunos de Música da UnB, nos anos 80/90, sempre assistíamos. Mas, não a conhecia pessoalmente e quem nos apresentou foi Marco Aurélio Coutinho. Estávamos preparando um recital só com canções de compositores brasilienses e ele disse: "Você tem que colocar a D. Neusa França nisso aí! ela tem várias canções". A soprano Amelia Niemeyer, colega na EMB, já cantava algumas canções de Neusa França, que foi uma convidada especial naquele recital, tocando com ela suas próprias canções. A partir daí, me tornei  também uma das cantoras que tiveram o privilégio de cantar suas canções com ela tocando. Convivi com ela entre 2003 e 2009. Lembro que ela tocava com energia e alegria que contagiavam a gente. Ela gostava de contar histórias... eu lembro de algumas e, graças ao mundo digital, há outras contadas por ela nos registros dos concertos "Vamos ouvir música?" e outros eventos, no Youtube. Participei dos seus “Vamos ouvir música?” entre 2004 e 2008, sempre cantando uma canção dela e de outro compositor brasileiro. Ficamos amigas, e ela costumava me chamar para cantar em eventos como saraus, festas, e sessões das academias que ela fazia parte. Cantei a 1ª audição de três canções dela nesta época: "Valsa do Primeiro Beijo" (na versão canção), "Teimoso" (versão canção) e "Balada para a mulher". Convivi com ela e seus alunos em sua casa, presenciei o seu trabalho e a facilidade com que escrevia uma partitura. 
        Por causa do meu interesse na Canção de Câmara Brasileira, recebi dela várias partituras manuscritas de suas canções, que continuei cantando em recitais e incentivando alunos a estudar. Depois que ela faleceu, em 2016, percebi que tinha um tesouro nas mãos: cerca de 20 partituras de canções dela, sendo a maioria cópia, mas há alguns autógrafos. Fiquei com muita vontade de voltar a trabalhar com aquelas partituras, editorá-las, gravá-las. 
        Enfim, chegou este momento. Estou trabalhando desde 2022, no Doutorado em Música da Unicamp, com uma pesquisa sobre as "Canções de Câmara de Neusa França". Na pesquisa, que foi contemplada com uma bolsa do CNPq, no projeto "A Canção Brasileira de Concerto: estudos de repertório", já levantei mais de 30 canções dela e estou descobrindo informações e editorando suas partituras. Em breve, se Deus quiser, vou cantá-las em recital, gravá-las e publicar as partituras.  
        Foi um privilégio conviver e cantar com Neusa França.
        É um privilégio hoje, pesquisar sobre suas canções. 

        Transeamus 

        Cantemos
    

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

Cantando na pandemia

            * (Texto antigo, que estava rascunhado para revisar há mais de um ano).

        2020, pandemia... tempo difícil. Difícil para trabalhar, para viver, e para cantar. Foi um ano de reclusão, sai muito pouco. Fazia tudo pela internet, inclusive o meu trabalho. Gente morrendo, gente sofrendo, gente chorando... E aquele medo! Sozinha no apartamento, falava muito com Deus... clamava por conforto para aqueles que perdiam seus entes queridos. Em meio a tudo isso, Deus me deu uma tarefa: cantar para consolar as pessoas. Resisti, não queria... Mas, não tive como fugir. O navio para Tarsis encalhou na pandemia...
        Uma amiga de Campina Grande me escreveu em maio/2020, pedindo que eu gravasse uma canção para os amigos de lá, que gostavam de me ouvir, estavam com saudades... Mas, gravar o que? Como, aqui sozinha? Tanta música já gravada! Eles podiam acessar músicas que gostam nos streamings. Não precisava eu gravar... e não gravei. De vez em quando, me lembrava do pedido. Quando orava por alguém sofrendo, pensava se podia fazer mais do que orar. Ouvi uma mensagem de um pastor sobre "Consolai meu povo" (Isaias 40:1)... Deus me ensinava sobre consolo. Várias vezes, trechos bíblicos e mensagens que falavam sobre consolo apareceram para mim. Mas, fiquei quieta. Em julho, outra amiga, de Uberlândia, perdeu a mãezinha dela. Me escreveu lembrando de um hino que eu cantava, quando morei lá, que falava da soberania de Deus: "Ele é meu e teu Senhor". Respondi rápido, "eu canto pra você!", querendo consolar a amiga que sofria. Pensei em gravar um áudio de WhatsApp e mandar pra ela. Mas, quando fui gravar o hino pra ela, lembrei do outro pedido de maio! Se ia gravar, tinha que atender o pedido anterior... Escolhi o hino "Deus cuidará de ti", para lembrar que Deus cuida de nós, mesmo na dor. Não foi fácil. Não tenho o costume de tocar e cantar ao mesmo tempo, então, tive que treinar muito! Quis gravar em vídeo, porque tudo naquele momento era por vídeo... Várias horas de preparo, para criar um arranjo, decorar a letra. Ensaiei muito. Gravar foi outro parto! Gravei no celular, sem fone (não sabia usar). Tentei várias vezes, mas errava ora o piano, ora o canto. Até que um take saiu razoável e resolvi mandar. Mas, não sabia como fazer! O arquivo era pesado. Meu filho sugeriu colocar no Youtube. Coloquei e mandei só para ela e algumas pessoas da família. Só que as pessoas queriam compartilhar o vídeo, que não era público, reclamaram. Tornei o vídeo público. Pessoas escreviam agradecendo, dizendo que tinham sido abençoadas, Na semana seguinte gravei o hino da amiga mineira. Já com fone de ouvido e um pouco mais segura. 
Sentada no piano, testando uma das gravações. 
        E assim surgiu um projeto pessoal de gravar canções de consolo. Queria gravar uma por semana. Mas, o processo era tão difícil para mim, que não consegui... de agosto de 2020 a março de 2021, gravei 8 vídeos, mais ou menos um por mês. Criei uma playlist no meu canal do Youtube, que teve vários acessos e pelos comentários, percebo que ela cumpriu seu objetivo, graças a Deus. Fiquei feliz de, num trabalho de formiguinha, ter alcançado algumas pessoas com uma mensagem de consolo através da música e do canto. Quem me conhece como cantora lírica, vai perceber que é outro tipo de canto, outra voz... 

        Hoje olhando para trás, não consigo imaginar como fiz isso. Se for tentar tocar e cantar aquelas canções hoje, não consigo... Mas, sei que fiz. Fui um pouco rebelde no início, mas fiz o que Deus me convocou a fazer. 
  Aqui o link da playlist "Cantando na pandemia" com as canções gravadas: https://youtube.com/playlist?list=PLD7jwFGJbWL-LvV2NliYrLVcCOtOkTX_M

Cantemos!