Malú Mestrinho

Apresentação

Olá!
Este é meu blog pessoal.

Aqui pretendo comentar sobre coisas que vi, ouvi e vivi.
Gosto de escrever e às vezes sinto um impulso de compartilhar... Como não sei exatamento com quem, resolvi criar este espaço e deixar que pessoas acessem e leiam quando quiserem.
Pretendo também escrever e trocar idéias sobre a arte do canto. Mais especificamente do canto que interpreta a música chamada erudita.

Malú Mestrinho
(em julho/2010)


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sexta-feira, 29 de julho de 2011

Três momentos, uma canção...

O sobreCanto completa um ano, exatamente hoje. Buscando um assunto para escrever, resolvi mencionar 3  momentos que vivenciei nesta semana de formatura da turma 2011 do Curso de Música da UFMS. 3 momentos e uma canção, que me comoveram, me fizeram pensar.

 1º momento: no culto em ação de graças pela formatura, um pastor, pai de uma formanda, mencionou uma folha em branco. A nova folha do músico formal, músico formado, professor de música oficial. E o que cada formando escreveria nesta folha? Como honrar a benção que Deus deu de estudar, aprender e se formar? Trabalhando bem? Procurando melhorar a cada dia? Dividindo o conhecimento? Ensinando? Há muitas formas... E a questão serve para todos nós músicos, professores de música. Cada novo semestre (ou até cada dia) pode ser uma nova folha em branco. Um semestre se inicia agora e eu me faço esta pergunta...

Mario de Andrade e Marcus Medeiros
2º momento: o discurso do paraninfo - Prof. Marcus Medeiros - fez eco à pergunta do pastor. Ele não pode estar presente, mas suas palavras lá estavam, representando seu carinho e cuidado com seus (agora já ex) alunos. Citando "A oração do paraninfo" de Mario de Andrade, desafiou cada formando a tomar seu lugar na sociedade, fazendo da música um instrumento de mudança. Andrade ansiava pela "oficialização do ensino musical" no Brasil e agora ela existe. Será que isso fará diferença? Hoje, procurei o texto de Andrade para ler e uma frase poética chamou-me a atenção:   
 "Há sempre uma aurora para qualquer noite,
E essa aurora sois vós.
E pois que a noite ainda é profunda e vai em meio,
Eu vos convido a forçar a entrada da manhã."

 
3º momento: antes da formatura, estive no Festival de Música de Três Lagoas/MS (excelente iniciativa e trabalho da prefeitura). É estarrecedor como o povo no interior deste estado é carente da boa música. A maioria só tem acesso à sub-música, massiva, comercial, tão simples que nada acrescenta. Percebi na reação das pessoas o quanto o pouco contato que tiveram - uma oficina, um concerto - foi significante. E o quanto gostariam de ter mais... Campo Grande tem pouca tradição de música formal e o curso de música da UFMS se ressente disso. Sempre criticamos a falta de estrutura e lamentamos ser apenas uma licenciatura e não haver o bacharelado. Mas, no interior a carência é tão maior! O fato de este ser o único curso superior de música do estado dá a nós - professores, alunos e egressos - uma enorme responsabilidade...



A canção: ao final da cerimônia de colação de grau os formandos surpreenderam fazendo música! E o melhor: cantando. Melhor ainda: cantaram a capela! Fizeram de suas vozes instrumentos e cantaram uma canção, cuja poesia diz muito sobre nós músicos. Que feliz idéia, fazer da turma um coro e como foi lindo... Não sei se cada formando percebeu a força destas palavras que dizem que nossa profissão vive de casar os momentos às canções. Hoje no sobreCanto, caso esta canção aos 3 momentos. Na essência, eles têm muito em comum...

Há canções e há momentos
Eu não sei como explicar
Em que a voz é um instrumento
Que eu não posso controlar
Ela vai ao infinito
Ela amarra todos nós
E é um só sentimento
Na platéia e na voz

Há canções e há momentos
Em que a voz vem da raiz
Eu não sei se quando triste
Ou se quando sou feliz
Eu só sei que há momentos
Que se casa com canção
De fazer tal casamento
Vive a minha profissão
(Canções e Momentos, de Milton Nascimento e Fernando Brant)
 

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Um ano de UFMS


Completei, dia 21 de setembro, um ano como docente do Curso de Música da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Vim para Campo Grande na primavera de 2009 e descobri uma cidade onde as quatro estações são radicais. Verão muuuuuito quente e inverno surpreendentemente frrrrrrio...

Assumi os alunos de canto do curso (todos!!!)... e a disciplina Técnica e Expressão Vocal. Muito trabalho... Apesar de Campo Grande ser uma grande capital de estado, a música erudita aqui é excessão. Música aqui é a regional. As iniciativas da música de concerto são poucas e pela falta de tradição, geralmente tem caráter de amadorismo. 
Difícil para mim... Mesmo em Uberlândia, quando trabalhei na UFU, recém-formada (1994/1995), não senti este choque. Talvez por ser um centro menor e eu ter menos experiência...

Mas, como disse a vários que me perguntaram, não vim para experimentar, mas para dar certo. "Queimei navios" demais para vir. Não dá para voltar. Mesmo com a expectativa da abertura do bacharelado frustrada, fiquei. Vários alunos são talentosos e alguns muito interessados. [Os interessados estudam mais e costumam render mais do que os "talentosos" ... Quando um talentoso estuda, aí sim, vamos formar um músico-cantor.]

Gosto de perceber que alguns, que franziam a testa para a exigência do repertório erudito (cheguei "batento o pé" nisso...) hoje já aceitam mais e até admitem gostar. Domingo passado recebi  um e-mail de uma aluna, dizendo: 
"Sabe de uma coisa, eu preciso dizer. Estou começando a me apaixonar pela música erudita... Antes eu ouvia porque eu sentia que 'tinha' que ouvir..."
Considero este "feed-back" como um presente de aniversário. Se pelo menos serviu para descortinar aos alunos as possibilidades da maravilhosa música vocal erudita, já valeu. É bom perceber que fazemos diferença na vida deles. Ao mesmo tempo, é uma baita responsabilidade!

Não deu de fazer muita coisa ainda. O "Pássaro da Terra" do 1º ano foi uma realização e a Semana da Voz, apesar de tumultuada, valeu também. Tenho projetos... um deles e o meu preferido agora, é o Grupo Vocal Feminino da UFMS. Se Deus quiser, vamos cantar muito por aí, com nome ou sem nome (kkkk...)

Sou grata a Deus por estar trabalhando aqui. Que eu seja instrumento dEle, para fazer de vozes, instrumentos.